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Dança das Cadeiras nos Combustíveis Entenda as Novas Medidas do Governo e os Reajustes das Refinarias

Bruno Valêncio · 10 de setembro de 2026

Nesta quarta-feira (09 de setembro), o mercado de combustíveis brasileiro passou por uma verdadeira "dança das cadeiras" que impactará diretamente o bolso do consumidor e a estratégia dos postos de revenda. Entre o fim de antigas subvenções, novos decretos de isenção de impostos e os imediatos repasses pelas refinarias, o cenário pode parecer confuso à primeira vista.

Para desmistificar essas mudanças, preparamos este artigo com base no levantamento detalhado da Valêncio Pricing (www.valenciopricing.com.br), especialista em inteligência de mercado e precificação de combustíveis.

Abaixo, detalhamos tudo o que você precisa saber sobre o novo xadrez tributário e os impactos reais nas bombas.

1. O Movimento do Governo: Troca de Subsídios por Isenção

A principal manobra do Governo Federal consistiu em substituir o antigo formato de subsídio por uma isenção direta de impostos federais, com vigência estipulada até 10 de outubro de 2026.

Gasolina A = O governo assinou um decreto isentando a Gasolina A das alíquotas de PIS/COFINS (uma redução de R$0,63 por litro). Essa medida foi criada para compensar o fim da subvenção de R$0,44/L que era concedida a produtores e importadores (através da MP 1.358).

  • O cálculo base: Perde-se R$0,44 de benefício, mas ganha-se R$0,63 de isenção fiscal. Na teoria, isso geraria um saldo negativo de R$ -0,19/L, o que se traduziria em um impacto de R$ -0,1292/L na mistura final (com 68% de gasolina fóssil). Mas, como veremos adiante, as refinarias ditaram o resultado final.

Etanol Hidratado = Para não tirar a competitividade do biocombustível frente à gasolina (uma exigência do PLP dos Combustíveis), o governo também isentou o Etanol Hidratado de PIS/COFINS, garantindo uma redução direta de R$ 0,1922 por litro.

Óleo Diesel = Aqui a estratégia foi de contenção. Para evitar uma disparada nos custos do transporte, o governo aprovou uma nova subvenção de R$1,00/L para produtores e importadores, que se soma à isenção da MP 1.363 (no valor de R$1,12/L, vigente até o fim de setembro). Vale lembrar que o efeito prático dessa subvenção depende de as refinarias segurarem seus repasses.

2. A Resposta das Refinarias: O Impacto Real

Como no mercado de combustíveis a teoria tributária sempre se encontra com a prática do refino, as principais produtoras do país agiram rápido com vigência a partir do dia 10/09. Veja como ficou o preço para as distribuidoras, já considerando a mistura obrigatória (Gasolina C a 68% e Diesel B a 85%).

Petrobras: Efeito Nulo na Gasolina

A estatal anunciou que, com o fim da subvenção da MP 1.358, precisou reajustar o preço da Gasolina A na refinaria em exatos R$ 0,63/L.

  • O Resultado: Como a isenção de PIS/COFINS dada pelo governo foi de exatamente R$0,63/L, uma ação anula a outra. Para o mercado atendido pela Petrobras, o impacto final da Gasolina C será de R$0,00.

Acelen (Bahia): Diesel mais caro, Gasolina mais barata

A refinaria privada baiana aplicou reajustes mistos:

  • Gasolina: Aumentou R$0,44/L na refinaria (repasse do fim do subsídio). Porém, como a isenção tributária foi maior (R$0,63), o efeito final da Gasolina C (68%) para a região terá uma redução de R$ 0,1292 por litro.
  • Diesel S10 e S500: Sofreram reajuste de R$+0,3382/L na base. Com a mistura de 85%, o impacto final será um aumento de R$ 0,2875 por litro.
  • Diesel Marítimo: Aumento de R$ 0,2876/L.

Brava Energia (Rio Grande do Norte)

A refinaria potiguar seguiu uma linha parecida com a baiana, mas com proporções levemente diferentes:

  • Gasolina: Reajuste de R$ +0,4959/L na base. Na composição com a isenção tributária, a Gasolina C (68%) terá uma queda de R$ 0,0912 por litro.
  • Diesel S500: Aumento na base resultando em um impacto final (85%) de R$ +0,1333 por litro.
  • Diesel Marítimo: Sem reajuste (R$0,00).

Resumo da Ópera

A movimentação desta semana mostra uma Petrobras alinhada à estratégia do governo para neutralizar altas nas bombas de gasolina, enquanto as refinarias privadas repassam as volatilidades do mercado internacional para o Diesel, mas entregam pequenas reduções na Gasolina devido ao ganho fiscal.

Ficar de olho nessas frações de centavos é o que separa uma operação de sucesso de uma com margens espremidas.

Para continuar acompanhando análises aprofundadas e monitoramento de mercado em tempo real, visite o site da Valêncio Pricing em www.valenciopricing.com.br.

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